Será mesmo necessário recorrer a um profissional de aleitamento materno?

 

CONSULTORIA EM ALEITAMENTO MATERNO

A mais-valia de recorrer a um profissional de aleitamento materno     

Haverá necessidade?

Amamentar pode ser fácil para algumas mães, tal como pode não o ser para outras. Como tudo na vida, as pessoas não são todas iguais, não têm os mesmos desejos, não querem todas o mesmo. Além da vontade, que é a base motivacional para a amamentação, existem ainda outros fatores a ponderar na equação, tais como, os benefícios da amamentação para a mãe e para o bebé, questões fisiológicas da mãe e aspectos culturais. Para quem quer efetivamente amamentar o seu bebé – seja exclusivamente com o seu leite materno, seja num regime de aleitamento misto – existem profissionais específicos desta área a quem podem recorrer.

Não há dois percursos de amamentação iguais.

Por vezes, a mãe expressa que amamentar é algo que sempre quis. Outras vezes, apenas se apercebeu disso no decorrer da gravidez. E ainda há quem não pondere sobre isso até chegar ao momento de colocar o bebé na mama. Em qualquer uma destas situações, os profissionais em aleitamento ajudam a que o percurso decorra da melhor forma possível, evitando ou minorando muitos problemas.

“Sou seguida pelo obstetra e pelo enfermeiro, tive aulas de preparação para o parto. Não acho que precise de mais ninguém para a amamentação.”

É legítimo – até certo ponto – que possas ter esse ponto de vista, porque não conheces os obstáculos que fazem parte da amamentação, não sabes que podem ser ultrapassáveis, e/ou não tens noção do papel que estes profissionais desempenham.

Infelizmente, o oposto acontece com frequência. Chegam-me muitas mães que já foram vistas por médicos e enfermeiros com posturas tendenciosas para o uso indiscriminado de suplementação com leite artificial e/ou que lhes transmitiram informações desatualizadas ou mesmo erradas. Isto acontece pelo simples facto de que não têm formação necessária sobre este tema em específico – que, acreditem, é bastante específico. Nenhuma destas habilitações académicas foca a amamentação. E se pensares que, sendo profissões de saúde, também devem saber sobre amamentação, enganas-te. Vou dar-te um exemplo.

Se precisas de verificar se está tudo bem com o teu coração, vais a um cardiologista.

Se desconfias de alguma alergia, marcas consulta num alergologista.

Porque não vais, então, verificar se tens algum problema cardíaco com o alergologista? São ambos médicos. São ambos profissionais de saúde. Devem saber o mesmo, não? Já percebeste onde quero chegar… Cada um especializou-se na sua área. Para além de conhecimentos aprofundados distintos, cada um tem o seu acumular de experiência em áreas diferentes. Com os profissionais em aleitamento materno acontece o mesmo.

Tive enfermeiras como clientes e/ou alunas que me transmitiram isso mesmo. Que apesar de exercerem na área da saúde, a sua formação de base não contempla o necessário para saberem, efetivamente, acompanhar uma mãe. Todos aqueles que trabalham na área da obstetrícia e pediatria, a nível hospitalar, dos centros de saúde e em clínicas privadas deveriam ter formação atualizada sobre a amamentação, mas infelizmente não é o que se constata.

Eu própria sou profissional de saúde e durante o percurso de amamentação da minha primeira filha, da Alice, percebi que o que eu sabia sobre isso, não chegava para ultrapassar os desafios que encontrei. Procurei estes profissionais, ajudaram-me, formei-me então nesta área e decidi ajudar outras mães.

Quem são estes profissionais?

São profissionais devidamente QUALIFICADOS na área do aleitamento materno – não necessariamente profissionais de saúde – que podes reconhecer pelas seguintes nomenclaturas:

  • CAM (Conselheira em Aleitamento Materno)
  • CAIN (Consultora de Alimentação Infantil Natural)
  • AS (Assessora de Lactação)
  • IBCLC (Consultora de Lactação Certificada pelo International Board of Lactation Consultant Examiners)

Auxiliam a mãe, o bebé e o pai nesta nova aventura.
Identificam e fornecem as ferramentas, segundo as orientações nacionais e internacionais sobre os mais diversos temas, para que a família consiga lidar com a amamentação de uma forma mais informada e tranquila.

Este apoio revê-se, por exemplo, ao nível físico e psicológico da mãe, no posicionamento do bebé, na pega e sucção do bebé, nos cuidados da mama, na extracção, na ausência da mãe, no regresso ao trabalho, no início da creche ou equivalente.

Se considerares que:

– A prolactina é a hormona responsável pela produção de leite, e é regulada pela sucção, pega e frequência das mamadas do bebé.

– A ocitocina é a hormona responsável pela saída do leite, e é regulada por fatores emocionais maternos; que aumenta em situações de CONFIANÇA e SERENIDADE, e pode diminuir em momentos de ansiedade e insegurança.

Compreendes, então, que é extremamente importante que recebas APOIO e INDICAÇÕES CREDÍVEIS e ADEQUADAS à tua situação. O benefício desta orientação mais segura é a maior probabilidade de uma amamentação bem sucedida.

Em que situações deves procurar ajuda?

Posso listar algumas das situações mais frequentes.

  • Dor. Seja ela de que maneira for. Aguda, contínua, pontual, enquanto amamentas, antes ou após, no mamilo ou em qualquer parte da mama. Amamentar não é suposto ser doloroso. Não é normal doer. Um pouco de sensibilidade é aceitável no inicio, mas dor não, não é normal. Se existir dor, significa que algo não está bem e necessita ser investigado.
  • Mamilos gretados ou feridos. Normalmente são o resultado de o teu bebé não pegar bem na mama. Podes usar alguns cremes e acessórios para acelerar a cicatrização dessas fissuras, e resolveres a questão por ali, mas se não atuares na causa, provavelmente este cenário irá repetir-se.
  • Não teres a certeza se o teu recém-nascido abocanha bem a mama. Muitos profissionais de saúde poderão afirmar que o bebé está a fazer uma boa pega, mas o que é isso de ser uma boa pega? Como avaliar? Sabias que uma pega incorreta pode interferir com o ganho de peso do teu bebé? Com todo o vosso futuro na amamentação?
  • Ingurgitamento mamário. Ou seja, mamas cheias, duras e doloridas. É muito comum ocorrer nos primeiros tempos após o nascimento do bebé. A produção do leite ainda não está estabilizada e o teu corpo não sabe bem que quantidade produzir, então produz muito, para que “nada lhe falte”. É uma situação muito desconfortável e que pode influenciar negativamente a amamentação se não for bem gerida.
  • Difícil ganho de peso do bebé. Nestes casos a rotina do bebé é meticulosamente seguida e é feito um acompanhamento rigoroso para garantir que ele seja bem alimentado, porque a saúde e segurança do bebé é prioridade. Antes de introduzires advertidamente leite artificial na alimentação do teu bebé, é verificada a real necessidade de isso acontecer, e se assim se constatar, também é avaliada a forma como esse leite artificial lhe é oferecido, para não comprometer a amamentação.
  • Preocupações com a produção de leite. O facto de o bebé querer estar sempre na mama, de não ter um aumento de peso considerável, de ser muito chorão ou simplesmente devido a comentários de terceiros, pode induzir-te a pensar que o teu leite não é suficiente e quereres aumentar a produção de leite. Cuidado se estiveres tentada a colocar em prática alguma técnica que tenhas visto na internet ou que sabes que resultou com outra pessoa, sem o devido acompanhamento, Pode ser “pior a emenda que o soneto”.
  • Ductos entupidos, mastites, e outras condições específicas. Podem ocorrer em qualquer fase da amamentação. São situações que podes nem conseguir identificar precocemente, mas se fores observada por um profissional da área ao primeiro sinal, terás a melhor resolução possível.
  • Dúvidas. Não tem necessariamente que haver um problema com a tua amamentação a ser resolvido. Se pensaste na amamentação com antecedência, irás certamente ter dúvidas, medos e inseguranças. Todas eles são compreensíveis, e nada melhor que esclarece-los com quem sabe, com o especialista na área. Falar com alguém que te tranquilize e que saibas que estará lá quando mais precisares, contribui bastante para a tua confiança e para todo o modo de encarar a amamentação e a maternidade.

Quando o deves fazer?

Esta resposta não deixa de ser pessoal, e pode variar de mãe para mãe. Mas, idealmente, e de acordo com a minha experiência, quanto mais precocemente for requerida a ajuda, melhor. Nas situações em que já houver uma complicação estabelecida, quanto mais cedo se atuar sobre ela, maiores serão as hipóteses de uma resolução bem sucedida.

Portanto, a minha resposta é: o quanto antes!

A melhor altura para o fazeres é ainda grávida. Antes do nascimento do teu bebé.

“Tão cedo!” pensas tu. “Ainda o bebé não nasceu e já me preocupo com o que nem sei como será. Até pode correr bem e nem ser preciso nada.”

 Se te preparas para o parto, que também não sabes se acontecerá segundo o planeado, porque não te haverás de preparar para a amamentação? Se te preparas para um momento medicamente assistido, porque não te prepararás para uma fase da tua vida que pode durar tanto tempo e na qual estarás por tua conta?

Com o apoio e conhecimentos certos, o teu percurso de amamentação será certamente mais prazeroso para os dois (ou três). Apesar de cansativo, estarás melhor informada e terás as ferramentas certas para ultrapassares os obstáculos que poderás encontrar. Perceberás a importância do contacto pele a pele logo após o nascimento (seja por parto normal ou cesariana), e poderás incluir essa indicação no plano de parto, por exemplo.

E mais. Como mãe de três, aconselho vivamente a te preparares com antecedência para a amamentação. Podes estar cansada e com muita coisa em que pensar na fase da gravidez, mas acredita que depois dele nascer, não será mais fácil. A tua disponibilidade será mais reduzida. Será tudo mais desafiante.

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